Editorial

As equipes de engenharia das empresas utilities vêm adicionando novas tecnologias de comunicação para suporte à modernização da supervisão e controle de seus sistemas de transmissão e distribuição há décadas, mas apenas recentemente os termos “rede inteligente” e “cidade inteligente” se tornaram mais presentes no nosso dia-a-dia.

O sistema de transmissão e distribuição de energia elétrica é inteligente, mas o que há de novo são as inovações nos limites das redes e atrás dos medidores que proporcionam aos consumidores controle do seu uso de energia e água. Essas inovações incluem energia distribuída, armazenamento, energias interruptíveis, medidores inteligentes e muito mais.

À medida que estas modernizações da rede são introduzidas, aumenta a pressão para que essas coisas “inteligentes” funcionem adequadamente. Nós da UTCAL, em conjunto com as demais regionais da UTC Global, estamos acompanhando esse movimento e buscando ferramentas para garantir que as necessidades de comunicação do setor elétrico e de água sejam levadas em consideração.

O que está implícito nas mensagens que levamos aos legisladores e reguladores - em nível nacional através dos contatos com a Anatel e Aneel, ou em nível global, por meio de nossas ações na Comissão Interamericana de Telecomunicações (Citel) e no Setor de Radiocomunicações da União Internacional de Telecomunicações (ITU-R), é que, sem eletricidade, nenhuma melhoria chegará ao cidadão ou até chegará, mas sem sua plenitude tecnológica.

Por mais que a eletricidade seja o elemento mais importante de qualquer “cidade inteligente”, as redes de comunicações das concessionárias de eletricidade e água são o motor que faz a cidade funcionar. Sem um espectro adequado e livre de interferências, as redes de comunicações das concessionárias não funcionarão adequadamente, ameaçando o desenvolvimento de cidades inteligentes, o bem-estar social e, com uma visão mais abrangente, o próprio desenvolvimento do país.

A UTCAL continuará defendendo, em nome de seus membros, o reconhecimento de que as empresas utilities são reais postulantes ao uso do espectro dedicado. Reafirmamos que não será possível a implementação de uma plêiade de novas aplicações já existentes e outras que certamente virão se não houver o reconhecimento, por parte dos reguladores, da necessidade de espectro dedicado para serviços de missão crítica. É por demais sabido pelas empresas de energia elétrica, água e gás que as redes comerciais disponíveis (3G e 4G) não atendem as suas exigências de desempenho e resiliência para a operação e que a futura rede 5G ainda não tem suas características claramente apresentadas, no que tange sua aplicação para serviços de missão crítica.

Boa leitura!
Ronaldo Santarem
Vice-presidente da UTCAL